quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Entrevista - Uganga: O Peso do Crossover Brasileiro Rumo ao Exterior

 

- Manu, obrigado pelo seu tempo para esta entrevista à Brazil Legion. Já começo agradecendo, por me desafiar enquanto fã de Crossover, pois o “Ganeshu” é algo até difícil de se traduzir em palavras…

Manu Joker: Salve mano, tudo certo? Eu que fico agradecido pelo interesse no nosso trabalho, curioso pra saber se esse desafio foi positivo (risos). Vamo lá!

- Conte-nos um pouco mais sobre a produção do material. Quem foi o produtor? Como se deu o processo? A banda teve voz ativa nas decisões?

Manu Joker: Novamente eu dividi a produção com nosso grande amigo Gustavo Vazquez (Rocklab Studio). Eu cuido da pré produção, conceito, gerenciar as várias ideias que viram músicas, fechar as composições e deixar a banda pronta pro estúdio. Já o Gustavo é o responsável pela engenharia de áudio, mix, master, timbres etc… Cada um no seu quadrado. Formamos um time interessante que vai se repetir no próximo trabalho, a gente se entende bem. Quanto a voz ativa, no nosso caso é 100% mano. Temos nossa disciplina de trabalho com certeza, também não repetimos erros, mas somos uma banda democrática em essência e na prática.

- Outro fator interessante é que vocês mesclam ao som de vocês, influências de Hardcore. Vocês fizeram algum tipo de pesquisa, para poder inserir tais elementos de maneira tão natural?

Manu Joker: A pesquisa vem das décadas ouvindo o estilo. Nós mesclamos o hardcore no nosso som desde a nossa gênese, é parte da nossa receita musical. Bandas como Exploited, Discharge, Black Flag, D.R.I., Agnostic Front, Lobotomia ou até do punk 77 e do pós punk estão entre nossas referências básicas assim como tantas outras bandas de metal.

- Vou me abster de classificar a banda como este ou aquele segmento, dentro do Rock/Metal. Então, passo a palavra para você! Como a banda se classifica em termos de gênero?

Manu Joker: Crossover livre, com cheiro de coturno, incenso e ganja. Nós temos nossas raízes no crossover oitentista, isso é fato e não se discute. O lance é que nós somamos a essa base vários outros elementos vindos da cena noventista, assim como o dub e o reggae Jamaicano, coisas de música eletrônica como o rap, o trip hop ou o drums and bass... Até música mineira de raiz é uma referência cara, tudo isso nos moldou e seguimos evoluindo e olhando pra frente, sem medo de perder nossa identidade.

- Eu adorei a produção, muito peso e tudo inteligível. Como você nos descrevia este processo até chegar no produto final que encontramos em “Ganeshu”?

Manu Joker: Um processo natural, leve, metódico e cada vez mais aprimorado. Não somos banda de ficar “brisando” além da conta e gastando dinheiro atoa em estúdio, a gente chega pronto pro que é preciso fazer, faz e vai embora. O Gustavo sugeriu que dessa vez nós gravássemos tudo ao vivo, usando uma voz de guia e acrescentando as vozes definitivas, solos e alguns outros detalhes depois. Fizemos dessa maneira e foi uma excelente ideia, “Ganeshu” é o álbum que mais perto chega do impacto da banda ao vivo.

- O material já vem sendo distribuído em outros mercados? Tive contato com o álbum digital, através do pessoal da MS Metal, e acredito que ele mereça chegar na Europa…

Manu Joker: Eu também acredito que mereça e estamos trabalhando sério para isso. Em fevereiro teremos a prensagem do CD para distribuição no mercado nacional e já agora estamos iniciando junto da MS o trabalho para fortalecer nosso nome lá fora, em especial na Europa. Já fizemos duas tours européias, temos álbuns lançados por lá e em parceria com selos locais e agora é hora de voltar.

- Outro ponto importante é que vocês optaram pelo português, para inserir as letras nas composições. Fugiram do inglês? Podem nos explica isso?

Manu Joker: Nessa banda sempre foi assim, desde 1993 a proposta é, salvo raras exceções, cantar na nossa língua. Somos uma banda que usa o dialeto das ruas, nossas letras são sobre coisas que vivemos, experimentamos, pelos “mundos” à nossa volta… Cantar em português deixa tudo mais verdadeiro ao meu ver, acho que fica mais clara a ideia. Como disse, já fizemos coisas pontuais em inglês e espanhol mas a grande maioria das nossas músicas é assim, tipo conversa de esquina. (Risos). Gosto de inúmeras bandas que cantam em inglês, tá tudo certo quanto a isso, só me cansa um pouco essa “obrigatoriedade” de se cantar em inglês, esse fictício único caminho. Acho isso um conceito velho e que em alguns casos chega a ser constrangedor.

- Suponho que “Ganeshu” já esteja sendo promovido ao vivo, como tem sido os shows em suporte ao disco?

Manu Joker: Começamos a tour logo que o álbum saiu e até agora tem sido muito foda, as pessoas querem nos ver ao vivo e querem definitivamente ouvir o material novo. Somos uma banda do underground, artistas independentes que lutam a 3 décadas sem hypes comprados ou sem surfar tendências, então sabemos que nessas estradas tem vários buracos e obstáculos. Isso posto estamos felizes, empolgados e cheios de disposição pro que vem pela frente.

- Quais os planos futuros da UGANGA? Suponho que agora que vocês contam com uma grande gravadora por aqui, um novo álbum esteja nos planos, confere?

Manu Joker: A parceria com a MS está no início mas estamos muito otimistas com os resultados que alcançaremos juntos. Definitivamente um novo álbum está nos planos e pra falar a verdade já começamos a compor. 2026 chegou trazendo conquistas interessantes.

- Manu, mais uma vez, muito obrigado por todos os esclarecimentos. Se algo ficou pendente, por favor…

Manu Joker: Novamente agradeço ao interesse pelo nosso trabalho e espero vê-los na estrada, um salve de MG pra geral.

 

 

Entrevista - Adna Melan: Um toque de feminilidade no Rock Gótico Tupiniquim

 

- Adna, obrigado pelo seu tempo para esta entrevista à Brazil Legion. Já começo agradecendo, por me desafiar enquanto fã de Rock/Metal, pois o single “Lie” é algo até difícil de se traduzir em palavras...

Eu que agradeço a oportunidade de falar um pouco mais sobre o projeto e o novo single.

- Conte-nos um pouco mais sobre a produção do material. Quem foi o produtor? Como se deu o processo? A banda teve voz ativa nas decisões?

“Lie” teve a participação de dois produtores em momentos distintos. O processo criativo ficou concentrado, em sua maior parte, em mim e no produtor André Paixão. Inicialmente, gravei uma demo em casa e enviei para ele. Com base na minha versão inicial, o André estruturou a música no estúdio, aprimorando minha composição e contribuindo para o desenvolvimento do arranjo. Os demais detalhes do single foram construídos a partir daí. O segundo produtor, Pablo Greg, elevou a qualidade da gravação e foi o responsável pela pós-produção.

- Outro fator interessante é que vocês mesclam ao som de vocês, influências do Gótico. Vocês fizeram algum tipo de pesquisa, para poder inserir tais elementos de maneira tão natural?

No meu caso, quando estou criando algo, o processo criativo acontece de maneira natural. A música surge com sua própria identidade, e as influências se manifestam de forma espontânea. Com o tempo, a identidade sonora foi se desenvolvendo e sendo moldada através da minha vivência e do que eu consumia, e o gótico sempre esteve muito presente.

- Vou me abster de classificar a banda como este ou aquele segmento, dentro do Rock/Metal. Então, passa a palavra para você! Como a banda se classifica em termos de gênero?

Gothic e alternative. Os singles anteriores estavam mais próximos do rock. “Lie” já se encaixa mais em gothic metal, que é o gênero que pretendo explorar mais, ainda trazendo elementos do alternative, e buscando um som mais pesado.

- Eu adorei a produção, muito encorpada e tudo inteligível. Como você nos descrevia este processo até chegar no produto final que encontramos em “Lie”?

Primeiramente, escrevi a letra com a melodia. A partir daí, comecei a imaginar a atmosfera do início, com menos instrumentos; a guitarra do pré-refrão entrando e desaparecendo antes da voz começar; a guitarra das demais partes e o espaço para o solo; vocais de fundo; entre outros detalhes. Os produtores fizeram um excelente trabalho aprimorando minha composição inicial e somando no processo com outras ideias. A pós-produção trouxe o refinamento do som, o equilíbrio entre cada faixa da gravação e o destaque de determinados elementos, o que trouxe um maior impacto para a música.

- O material já vem sendo distribuído em outros mercados? Tive contato com a versão digital, através do pessoal da MS Metal, e acredito que ele mereça chegar na Europa com um produto físico... O que você pensa a respeito?

Fico contente com a consideração. Honestamente, não planejamos o lançamento físico do single. Pretendemos avaliar o formato físico no lançamento do primeiro álbum.

- Outro ponto importante é que vocês optaram pelo inglês desta vez, para inserir as letras nas composições. Fugiram do português? Podem nos explica isso?

O uso do inglês foi mais do que uma escolha. Desde pequena, eu gostava muito e tinha o desejo de aprender o idioma, também com o objetivo de escrever letras de música. Comecei a escrever aos 12 anos de idade e, desde então, praticamente sempre usei o inglês. Fui aprendendo o idioma a medida em que aprendia a expressar sentimentos e experiências em palavras. E como idiomas diferentes têm expressões e estruturas distintas, passou a ser mais fácil e natural para mim escrever em inglês. Além disso, acho positivo o fato de ser uma língua que é compreendida por pessoas ao redor do mundo inteiro, o que facilita alcançar um público maior.

- Suponho que “Lie” já esteja sendo promovido ao vivo, como tem sido os shows em suporte ao disco?

Ainda não começamos a fazer shows, mas estou ansiosa para ter a experiência.

- Quais os planos futuros da ADNA MELAN? Suponho que agora que vocês contam com uma grande gravadora por aqui, um novo álbum esteja nos planos, confere?

Continuo escrevendo novas músicas, mas ainda não há planos concretos de futuros lançamentos. Porém, certamente lançar um álbum é um desejo que espero realizar em algum momento.

- Adna, mais uma vez, muito obrigado por todos os esclarecimentos. Se algo ficou pendente, por favor...

Obrigada a você pelo espaço, foi um prazer!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Entrevista - Organoclorados: Muito Rock e Dendê na Terra do Axé

 

1. Artur, obrigado pelo seu tempo para esta entrevista à Brazil Legion. Já começo agradecendo por nos desafiar enquanto fãs de Rock/Metal, pois “Dreams and Falls” é um trabalho até difícil de traduzir em palavras.

Artur: É uma honra e uma grande satisfação compartilhar informações sobre a Organoclorados e divulgar nosso trabalho. Muita responsabilidade esse desafio, e espero que essa dificuldade de tradução em palavras seja algo positivo (risos). Da nossa parte, todo o processo de produção e o resultado final de Dreams and Falls nos causam um sentimento indescritível de realização. Estou à disposição para uma boa conversa e, quem sabe, ajudar nessa tradução.

2. Conte-nos um pouco mais sobre a produção do material. Quem foi o produtor? Como se deu o processo? A banda teve voz ativa nas decisões?

Artur: Basicamente, produzimos por conta própria, pois precisávamos viabilizar os recursos e nos adaptar às condições disponíveis. As limitações, muitas vezes, são compensadas pela criatividade. Historicamente, temos trabalhado em estúdio sem produtor externo, e todos os nossos álbuns, EPs e singles até aqui foram produzidos dessa forma.

Não foi exatamente uma preferência, mas uma consequência da nossa trajetória e do segmento independente no qual estamos inseridos. A ausência de um produtor externo se deu, sobretudo, pela necessidade de enxugamento de custos, já que tudo foi feito no limite do comprometimento financeiro do grupo. Por outro lado, essa realidade também trouxe uma oportunidade importante: a banda acumulou aprendizado e desenvolveu um gosto maior pelas atividades de produção, o que se reflete diretamente no resultado alcançado.

O processo começa com uma pré-produção pouco rígida, com certa dose de aleatoriedade e fluidez, para que as músicas amadureçam sem pressa. Selecionamos entre 20 e 25 composições do nosso acervo, ensaiamos as estruturas básicas, realizamos jam sessions, testamos arranjos e revisamos as letras. Após essa análise, escolhemos as canções que seguem para a gravação.

Como não dispomos de recursos para longas sessões de estúdio, compensamos isso com muito ensaio, buscando máxima clareza sobre a concepção de cada música. Individualmente, também desenvolvemos os arranjos de cada instrumento.

Nas gravações, iniciamos pelas guias harmônicas e vocais, definindo o andamento das canções, sempre gravadas com metrônomo. A base rítmica vem na sequência, especialmente a bateria, seguida pelos demais instrumentos. Gravamos quantas sessões forem necessárias para extrair o máximo potencial das composições.

Os músicos acompanham atentamente o trabalho uns dos outros e têm total liberdade para opinar e sugerir ideias. Essa troca constante é muito rica e influencia diretamente as decisões. Mais adiante, já com os instrumentais quase concluídos, entramos no trabalho de arranjos vocais, área pela qual venho me aprofundando desde o álbum Saudade da Razão (2022) e que evoluiu ainda mais em Dreams and Falls.

Participamos ativamente também da edição e mixagem, etapa fundamental para preservar nossa identidade estética. Trabalhamos nuances, detalhes e sutilezas que fazem parte da nossa assinatura musical.

3. Outro fator interessante é a presença de influências do rock nacional. Houve algum tipo de pesquisa para inserir esses elementos de forma tão natural?

Artur: Não fizemos nenhuma pesquisa específica para este disco. As influências do rock nacional fazem parte da bagagem musical dos integrantes e são constantemente processadas e reinterpretadas. Inserimos elementos de forma instintiva, tanto nos ensaios quanto nas gravações.

Essas influências não vêm apenas do rock nacional, mas também do internacional e de outros gêneros. A música brasileira, especialmente a regional nordestina, com percussões, violões e guitarra baiana, contribui bastante para essa percepção. São ideias que surgem sem premeditação, guiadas pela inspiração e pelo que cada música “pede”.

4. Sem rotular a banda em um segmento específico, como vocês se definem em termos de gênero?

Artur: Também evitamos classificações rígidas. Se olharmos nossa trajetória dentro da linha do tempo do rock e entendermos o pós-punk como um estilo que incorpora elementos de outros gêneros, podemos nos identificar como uma banda pós-punk.

Ainda assim, essa definição é simplificada. Nosso som dialoga com hard rock, rock psicodélico, rock progressivo e experimentalismo. Já nos chamaram de classic rock e até disseram que repaginamos o pós-punk. O fato é que processamos múltiplas influências dentro do rock, sem amarras e com a mente sempre aberta.

5. A produção chama atenção pelo peso e pela clareza sonora. Como foi o caminho até o resultado final de “Dreams and Falls”?

Artur: Somos bastante detalhistas e buscamos sempre extrair o máximo possível dos recursos disponíveis. Estudamos nossas composições para encontrar os melhores caminhos técnicos e artísticos. Desde o início, tínhamos clareza do que queríamos alcançar.

Peso, atmosfera e inteligibilidade sempre foram prioridades, o que facilita o trabalho de mixagem e masterização. Vale destacar também a competência e a dedicação do técnico de gravação Lucas Costa, do Estúdio Jimbo.

Dreams and Falls sintetiza ciclos de alternância entre peso e melodia, sonho e colapso, transitando entre melancolia e energia dançante, mesclando sonoridades vintage com texturas contemporâneas, sem perder o elo com nossos trabalhos anteriores.

6. O material já está chegando a outros mercados? Existe perspectiva de expansão física para a Europa?

Artur: No formato digital, o álbum e seus singles estão disponíveis em mais de 150 plataformas ao redor do mundo. Com o apoio da MS Metal Agency, a versão física em CD foi viabilizada recentemente.

Estamos nos adaptando a essa perspectiva internacional. Recebemos orientações sobre estratégias para explorar o mercado europeu e esperamos que esse trabalho gere bons frutos em breve.

7. Vocês optaram pelo inglês neste álbum. Foi uma fuga do português?

Artur: Não diria fuga, mas uma escolha. Gravar em inglês era um desejo antigo, que surgiu ainda após o álbum Princípio Ativo (2001). O plano ficou adormecido até atingirmos maturidade artística suficiente.

Após quatro álbuns em português, sentimos que era o momento certo. Tínhamos composições prontas e o cenário era favorável. Tudo aconteceu de forma natural, sem forçar nada.

8. Como estão os shows em suporte a “Dreams and Falls”?

Artur: A agenda tem sido intensa, considerando as limitações do circuito independente. Desde o lançamento do single “Insecurity”, os shows passaram a promover o álbum.

A recepção do público tem sido muito positiva, tanto nos shows quanto nas redes sociais. Músicas como “Days and Roses”, “Horses on the Streets” e “Insecurity” têm gerado ótimas reações.

9. Quais são os próximos passos da ORGANOCLORADOS?

Artur: O foco atual é ampliar o alcance nacional e internacional de Dreams and Falls. Recentemente lançamos videoclipes, singles e o CD físico.

Para o futuro, há planos para singles, um EP em espanhol previsto para 2026 e um novo álbum já pronto, ainda sem data definida. Posso adiantar que será em português.

10. Para encerrar, deixo o espaço aberto.

Artur: Agradecemos muito pelo espaço. Completamos 40 anos de história no rock autoral independente, entre sonhos e quedas, mas sempre com paixão e autenticidade.

Convidamos todos a nos acompanhar nas redes sociais e plataformas digitais. Inscrevam-se também em nosso canal no YouTube.
Boas energias direto da Bahia. Força sempre.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Resenha - Bruthus - Comigo Não

 

Por Rodrigo Maldonado

Nota: 09.5/10.0

Puta que me pariu, que disco do caralho! Sou mais familiarizado com Metal Extremo, mas não tive como não pirar como este “Comigo Não”, primeiro registro da carioca BRUTHUS, que traz uma mistura interessante de Thrash Metal, Modern Rock e aquela pitada sem vergonha do Hardcore nacional, tendo o Matanza Ritual como a que primeiro me veio a mente como referência.

A arte da capa, de tão foda, merecia estampar um vinil, já que foi muito bem desenvolvida. Ainda assim, acho que ela não transmite com exatidão o que temos de conteúdo de áudio aqui. Na verdade, apesar do peso, a BRUTHUS me soou bastante comercial, obviamente dentro dos padrões que entendemos como underground atualmente. Peguemos como exemplo “Festa de Maluco” que, apesar de toda força que possui tem também uma letra bem despojada, descompromissada. A bendita música entretém e pode arrancar um belo sorriso de canto de boca do mais chato dos fãs.

Eu gostei muito da produção, não por acaso contou com a assinatura do pessoal do Fusão Studios, que já vem desempenhando um trabalho excelente com diversas bandas brasileiras. E a BRUTHUS não ficou atrás neste sentido, já que a qualidade sonora bate de frente, facilmente, com qualquer coisa que saia na gringa! Duvida do que estou afirmando, pois pare de ler este texto e vá direto ouvir músicas como Fumada” e “Desabafo” para vir concordar comigo em gênero, número e grau.

Faltou pouco para que “Comigo Não” ganhasse um sonoro dez, mas a sua curta duração me fez ficar um pouco desapontado. Gostei tanto do disco que queria mais, muito mais! Aliás, quem tiver interesse, compre o produto físico pois ficou maravilhoso.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

INFEKTOR SELF FESTIVAL: anunciado sua 11ª edição com peso, resistência e cultura independente no Piauí

 No dia 13 de setembro de 2025, Teresina será novamente o epicentro do peso underground piauiense com a realização da 11ª edição do Infektor Self Festival. Reconhecido como um dos eventos mais autênticos e consistentes do cenário independente, o festival traz em sua essência a união de bandas extremas, artistas independentes e ações afirmativas que dialogam com juventudes e movimentos culturais diversos.

Com produção da GAGAU PRODS & ALIADOS, liderada por Pedro “Hewitt”, o festival mantém sua proposta de dar palco à música pesada, artes visuais e expressões urbanas, valorizando a cultura que resiste às margens da indústria.

O line-up da 11ª edição já foi divulgado e inclui nomes de peso do Black Metal e Death Metal, com a estreia da horda DIABO nos palcos do Infektor, além de bandas veteranas e novas apostas do cenário.

Mais do que protesto, o Infektor Self Festival é também um ato político-cultural. A entidade organizadora comprova sua atuação desde 2014 nas políticas de juventude e na cultura independente, com iniciativas que vão desde a promoção de eventos e festivais, até debates sobre diversidade, combate à intolerância religiosa, empreendedorismo cultural e alimentação vegana no meio underground.

O impacto do festival ecoa além dos palcos, com ampla cobertura por mais de 20 sites e colunas vinculadas ao evento, incluindo portais como Geleia TotalPortal do InfernoHeadbangers NewsSubterrâneo MetalpunkWhiplashRCP Alagoas e Lucifer Rex, além de conteúdo exclusivo em redes sociais.

Ingressos já estão disponíveis com venda antecipada na Stillus RockSympla e pelo Instagram da produção.

Para mais informações, ingressos e merchandise:
https://www.instagram.com/isf.666/
https://www.sympla.com.br/evento/infektor-self-festival-11/2962115?referrer=www.google.com

quarta-feira, 30 de julho de 2025

OBTUS: Banda lança videoclipe de “Ver-Ouvir-Calar” com crítica social contundente

A lendária Obtus, um dos pilares do hardcore/punk do Nordeste, lançou recentemente um videoclipe impactante para a música “Ver Ouvir Calar”, faixa-título de seu primeiro álbum completo lançado em 2014.

Formada em meados dos anos 1990, a Obtus emergiu como uma das bandas que resistiram e se mantiveram ativas por mais de duas décadas no underground piauiense. Com o álbum Ver Ouvir Calar (2014), a banda reafirmou sua relevância com letras afiadas que rompem com a complacência e a alienação social (noiseland.com.brhominiscanidae.org). A faixa-título serviu como hino para uma geração que cansou de apenas assistir, ouvir e calar — agora visualmente reinterpretada através de um personagem marginalizado que se tenta sair do silêncio.

No centro do videoclipe está o personagem Carlos “Skilo”, figura que representa o cidadão marginalizado de Teresina — invisível para a cidade, mas ao mesmo tempo sujeito a ser um “alvo social”. O roteiro busca expor a vivência cotidiana de discriminação, abandono e silenciamento, transformando o imaginário invisível em grito visual. A ideia é confrontar o espectador com a dura realidade de quem é visto apenas como problema, enquanto sua voz permanece calada.

O projeto foi realizado com recursos da Lei Complementar nº 195/2022 (Lei Paulo Gustavo), via patrocínio do Ministério da Cultura/Governo Federal, com apoio da SECULT – Secretaria da Cultura do Estado do Piauí. A concepção do roteiro ficou por conta de Eduardo Crispim e Assis Machado, integrantes veteranos da banda que guiaram a mensagem visual com a mesma força das letras.

Há décadas, Obtus firma-se como banda política e contestadora, usando o punk/hardcore como arma para denunciar injustiças e chamar atenção às tensões sociais de Teresina. Como bem descreveu Eduardo Crispim há anos:

“Não era música para agradar, era música para agredir” — filosofia que a banda mantém até hoje (noiseland.com.brrevistaacrobata.com.br).

A cena punk da cidade sempre carregou uma crítica afiada ao sistema e à apatia cultural local — onde muitos vivem como “invisíveis” e são ignorados por quem administra e pela sociedade. Um movimento que se articula na rua, nos shows e nos zines, mas que ainda enfrenta resistência e incompreensão de uma comunidade com mentalidade conservadora e pouco interesse por arte contestadora (Portal Luneta).

Por que o clipe importa (opinião de quem vos escreve):

  • “Ver Ouvir Calar” ganha corpo e humanidade no vídeo: os silenciados falam, ainda que o sistema tente abafá-los.

  • O uso de produção realizada com incentivo cultural oficial (Lei Paulo Gustavo) reforça a importância da arte como ato político e necessidade social.

  • A figura de “Skilo” dá rosto ao anonimato urbano de Teresina, denunciando exclusão, violência simbólica e invisibilidade.


Obtus entrega com esse videoclipe uma obra visual que complementa o poder da canção original: é uma provocação estética, uma chamada à ação — e, sobretudo, uma reafirmação de que punk e hardcore podem ser arte engajada e consciente.

Para mais informações, shows e merchandise:
https://www.instagram.com/obtushc/

Entrevista - Uganga: O Peso do Crossover Brasileiro Rumo ao Exterior

  - Manu, obrigado pelo seu tempo para esta entrevista à Brazil Legion. Já começo agradecendo, por me desafiar enquanto fã de Crossover, poi...