quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Entrevista - Uganga: O Peso do Crossover Brasileiro Rumo ao Exterior

 

- Manu, obrigado pelo seu tempo para esta entrevista à Brazil Legion. Já começo agradecendo, por me desafiar enquanto fã de Crossover, pois o “Ganeshu” é algo até difícil de se traduzir em palavras…

Manu Joker: Salve mano, tudo certo? Eu que fico agradecido pelo interesse no nosso trabalho, curioso pra saber se esse desafio foi positivo (risos). Vamo lá!

- Conte-nos um pouco mais sobre a produção do material. Quem foi o produtor? Como se deu o processo? A banda teve voz ativa nas decisões?

Manu Joker: Novamente eu dividi a produção com nosso grande amigo Gustavo Vazquez (Rocklab Studio). Eu cuido da pré produção, conceito, gerenciar as várias ideias que viram músicas, fechar as composições e deixar a banda pronta pro estúdio. Já o Gustavo é o responsável pela engenharia de áudio, mix, master, timbres etc… Cada um no seu quadrado. Formamos um time interessante que vai se repetir no próximo trabalho, a gente se entende bem. Quanto a voz ativa, no nosso caso é 100% mano. Temos nossa disciplina de trabalho com certeza, também não repetimos erros, mas somos uma banda democrática em essência e na prática.

- Outro fator interessante é que vocês mesclam ao som de vocês, influências de Hardcore. Vocês fizeram algum tipo de pesquisa, para poder inserir tais elementos de maneira tão natural?

Manu Joker: A pesquisa vem das décadas ouvindo o estilo. Nós mesclamos o hardcore no nosso som desde a nossa gênese, é parte da nossa receita musical. Bandas como Exploited, Discharge, Black Flag, D.R.I., Agnostic Front, Lobotomia ou até do punk 77 e do pós punk estão entre nossas referências básicas assim como tantas outras bandas de metal.

- Vou me abster de classificar a banda como este ou aquele segmento, dentro do Rock/Metal. Então, passo a palavra para você! Como a banda se classifica em termos de gênero?

Manu Joker: Crossover livre, com cheiro de coturno, incenso e ganja. Nós temos nossas raízes no crossover oitentista, isso é fato e não se discute. O lance é que nós somamos a essa base vários outros elementos vindos da cena noventista, assim como o dub e o reggae Jamaicano, coisas de música eletrônica como o rap, o trip hop ou o drums and bass... Até música mineira de raiz é uma referência cara, tudo isso nos moldou e seguimos evoluindo e olhando pra frente, sem medo de perder nossa identidade.

- Eu adorei a produção, muito peso e tudo inteligível. Como você nos descrevia este processo até chegar no produto final que encontramos em “Ganeshu”?

Manu Joker: Um processo natural, leve, metódico e cada vez mais aprimorado. Não somos banda de ficar “brisando” além da conta e gastando dinheiro atoa em estúdio, a gente chega pronto pro que é preciso fazer, faz e vai embora. O Gustavo sugeriu que dessa vez nós gravássemos tudo ao vivo, usando uma voz de guia e acrescentando as vozes definitivas, solos e alguns outros detalhes depois. Fizemos dessa maneira e foi uma excelente ideia, “Ganeshu” é o álbum que mais perto chega do impacto da banda ao vivo.

- O material já vem sendo distribuído em outros mercados? Tive contato com o álbum digital, através do pessoal da MS Metal, e acredito que ele mereça chegar na Europa…

Manu Joker: Eu também acredito que mereça e estamos trabalhando sério para isso. Em fevereiro teremos a prensagem do CD para distribuição no mercado nacional e já agora estamos iniciando junto da MS o trabalho para fortalecer nosso nome lá fora, em especial na Europa. Já fizemos duas tours européias, temos álbuns lançados por lá e em parceria com selos locais e agora é hora de voltar.

- Outro ponto importante é que vocês optaram pelo português, para inserir as letras nas composições. Fugiram do inglês? Podem nos explica isso?

Manu Joker: Nessa banda sempre foi assim, desde 1993 a proposta é, salvo raras exceções, cantar na nossa língua. Somos uma banda que usa o dialeto das ruas, nossas letras são sobre coisas que vivemos, experimentamos, pelos “mundos” à nossa volta… Cantar em português deixa tudo mais verdadeiro ao meu ver, acho que fica mais clara a ideia. Como disse, já fizemos coisas pontuais em inglês e espanhol mas a grande maioria das nossas músicas é assim, tipo conversa de esquina. (Risos). Gosto de inúmeras bandas que cantam em inglês, tá tudo certo quanto a isso, só me cansa um pouco essa “obrigatoriedade” de se cantar em inglês, esse fictício único caminho. Acho isso um conceito velho e que em alguns casos chega a ser constrangedor.

- Suponho que “Ganeshu” já esteja sendo promovido ao vivo, como tem sido os shows em suporte ao disco?

Manu Joker: Começamos a tour logo que o álbum saiu e até agora tem sido muito foda, as pessoas querem nos ver ao vivo e querem definitivamente ouvir o material novo. Somos uma banda do underground, artistas independentes que lutam a 3 décadas sem hypes comprados ou sem surfar tendências, então sabemos que nessas estradas tem vários buracos e obstáculos. Isso posto estamos felizes, empolgados e cheios de disposição pro que vem pela frente.

- Quais os planos futuros da UGANGA? Suponho que agora que vocês contam com uma grande gravadora por aqui, um novo álbum esteja nos planos, confere?

Manu Joker: A parceria com a MS está no início mas estamos muito otimistas com os resultados que alcançaremos juntos. Definitivamente um novo álbum está nos planos e pra falar a verdade já começamos a compor. 2026 chegou trazendo conquistas interessantes.

- Manu, mais uma vez, muito obrigado por todos os esclarecimentos. Se algo ficou pendente, por favor…

Manu Joker: Novamente agradeço ao interesse pelo nosso trabalho e espero vê-los na estrada, um salve de MG pra geral.

 

 

Entrevista - Adna Melan: Um toque de feminilidade no Rock Gótico Tupiniquim

 

- Adna, obrigado pelo seu tempo para esta entrevista à Brazil Legion. Já começo agradecendo, por me desafiar enquanto fã de Rock/Metal, pois o single “Lie” é algo até difícil de se traduzir em palavras...

Eu que agradeço a oportunidade de falar um pouco mais sobre o projeto e o novo single.

- Conte-nos um pouco mais sobre a produção do material. Quem foi o produtor? Como se deu o processo? A banda teve voz ativa nas decisões?

“Lie” teve a participação de dois produtores em momentos distintos. O processo criativo ficou concentrado, em sua maior parte, em mim e no produtor André Paixão. Inicialmente, gravei uma demo em casa e enviei para ele. Com base na minha versão inicial, o André estruturou a música no estúdio, aprimorando minha composição e contribuindo para o desenvolvimento do arranjo. Os demais detalhes do single foram construídos a partir daí. O segundo produtor, Pablo Greg, elevou a qualidade da gravação e foi o responsável pela pós-produção.

- Outro fator interessante é que vocês mesclam ao som de vocês, influências do Gótico. Vocês fizeram algum tipo de pesquisa, para poder inserir tais elementos de maneira tão natural?

No meu caso, quando estou criando algo, o processo criativo acontece de maneira natural. A música surge com sua própria identidade, e as influências se manifestam de forma espontânea. Com o tempo, a identidade sonora foi se desenvolvendo e sendo moldada através da minha vivência e do que eu consumia, e o gótico sempre esteve muito presente.

- Vou me abster de classificar a banda como este ou aquele segmento, dentro do Rock/Metal. Então, passa a palavra para você! Como a banda se classifica em termos de gênero?

Gothic e alternative. Os singles anteriores estavam mais próximos do rock. “Lie” já se encaixa mais em gothic metal, que é o gênero que pretendo explorar mais, ainda trazendo elementos do alternative, e buscando um som mais pesado.

- Eu adorei a produção, muito encorpada e tudo inteligível. Como você nos descrevia este processo até chegar no produto final que encontramos em “Lie”?

Primeiramente, escrevi a letra com a melodia. A partir daí, comecei a imaginar a atmosfera do início, com menos instrumentos; a guitarra do pré-refrão entrando e desaparecendo antes da voz começar; a guitarra das demais partes e o espaço para o solo; vocais de fundo; entre outros detalhes. Os produtores fizeram um excelente trabalho aprimorando minha composição inicial e somando no processo com outras ideias. A pós-produção trouxe o refinamento do som, o equilíbrio entre cada faixa da gravação e o destaque de determinados elementos, o que trouxe um maior impacto para a música.

- O material já vem sendo distribuído em outros mercados? Tive contato com a versão digital, através do pessoal da MS Metal, e acredito que ele mereça chegar na Europa com um produto físico... O que você pensa a respeito?

Fico contente com a consideração. Honestamente, não planejamos o lançamento físico do single. Pretendemos avaliar o formato físico no lançamento do primeiro álbum.

- Outro ponto importante é que vocês optaram pelo inglês desta vez, para inserir as letras nas composições. Fugiram do português? Podem nos explica isso?

O uso do inglês foi mais do que uma escolha. Desde pequena, eu gostava muito e tinha o desejo de aprender o idioma, também com o objetivo de escrever letras de música. Comecei a escrever aos 12 anos de idade e, desde então, praticamente sempre usei o inglês. Fui aprendendo o idioma a medida em que aprendia a expressar sentimentos e experiências em palavras. E como idiomas diferentes têm expressões e estruturas distintas, passou a ser mais fácil e natural para mim escrever em inglês. Além disso, acho positivo o fato de ser uma língua que é compreendida por pessoas ao redor do mundo inteiro, o que facilita alcançar um público maior.

- Suponho que “Lie” já esteja sendo promovido ao vivo, como tem sido os shows em suporte ao disco?

Ainda não começamos a fazer shows, mas estou ansiosa para ter a experiência.

- Quais os planos futuros da ADNA MELAN? Suponho que agora que vocês contam com uma grande gravadora por aqui, um novo álbum esteja nos planos, confere?

Continuo escrevendo novas músicas, mas ainda não há planos concretos de futuros lançamentos. Porém, certamente lançar um álbum é um desejo que espero realizar em algum momento.

- Adna, mais uma vez, muito obrigado por todos os esclarecimentos. Se algo ficou pendente, por favor...

Obrigada a você pelo espaço, foi um prazer!

Entrevista - Uganga: O Peso do Crossover Brasileiro Rumo ao Exterior

  - Manu, obrigado pelo seu tempo para esta entrevista à Brazil Legion. Já começo agradecendo, por me desafiar enquanto fã de Crossover, poi...