
- Manu, obrigado pelo seu tempo para esta entrevista à Brazil Legion. Já começo agradecendo, por me desafiar enquanto fã de Crossover, pois o “Ganeshu” é algo até difícil de se traduzir em palavras…
Manu Joker: Salve mano, tudo certo? Eu que fico agradecido pelo interesse no nosso trabalho, curioso pra saber se esse desafio foi positivo (risos). Vamo lá!
- Conte-nos um pouco mais sobre a produção do material. Quem foi o produtor? Como se deu o processo? A banda teve voz ativa nas decisões?
Manu Joker: Novamente eu dividi a produção com nosso grande amigo Gustavo Vazquez (Rocklab Studio). Eu cuido da pré produção, conceito, gerenciar as várias ideias que viram músicas, fechar as composições e deixar a banda pronta pro estúdio. Já o Gustavo é o responsável pela engenharia de áudio, mix, master, timbres etc… Cada um no seu quadrado. Formamos um time interessante que vai se repetir no próximo trabalho, a gente se entende bem. Quanto a voz ativa, no nosso caso é 100% mano. Temos nossa disciplina de trabalho com certeza, também não repetimos erros, mas somos uma banda democrática em essência e na prática.
- Outro fator interessante é que vocês mesclam ao som de vocês, influências de Hardcore. Vocês fizeram algum tipo de pesquisa, para poder inserir tais elementos de maneira tão natural?
Manu Joker: A pesquisa vem das décadas ouvindo o estilo. Nós mesclamos o hardcore no nosso som desde a nossa gênese, é parte da nossa receita musical. Bandas como Exploited, Discharge, Black Flag, D.R.I., Agnostic Front, Lobotomia ou até do punk 77 e do pós punk estão entre nossas referências básicas assim como tantas outras bandas de metal.
- Vou me abster de classificar a banda como este ou aquele segmento, dentro do Rock/Metal. Então, passo a palavra para você! Como a banda se classifica em termos de gênero?
Manu Joker: Crossover livre, com cheiro de coturno, incenso e ganja. Nós temos nossas raízes no crossover oitentista, isso é fato e não se discute. O lance é que nós somamos a essa base vários outros elementos vindos da cena noventista, assim como o dub e o reggae Jamaicano, coisas de música eletrônica como o rap, o trip hop ou o drums and bass... Até música mineira de raiz é uma referência cara, tudo isso nos moldou e seguimos evoluindo e olhando pra frente, sem medo de perder nossa identidade.
- Eu adorei a produção, muito peso e tudo inteligível. Como você nos descrevia este processo até chegar no produto final que encontramos em “Ganeshu”?
Manu Joker: Um processo natural, leve, metódico e cada vez mais aprimorado. Não somos banda de ficar “brisando” além da conta e gastando dinheiro atoa em estúdio, a gente chega pronto pro que é preciso fazer, faz e vai embora. O Gustavo sugeriu que dessa vez nós gravássemos tudo ao vivo, usando uma voz de guia e acrescentando as vozes definitivas, solos e alguns outros detalhes depois. Fizemos dessa maneira e foi uma excelente ideia, “Ganeshu” é o álbum que mais perto chega do impacto da banda ao vivo.
- O material já vem sendo distribuído em outros mercados? Tive contato com o álbum digital, através do pessoal da MS Metal, e acredito que ele mereça chegar na Europa…
Manu Joker: Eu também acredito que mereça e estamos trabalhando sério para isso. Em fevereiro teremos a prensagem do CD para distribuição no mercado nacional e já agora estamos iniciando junto da MS o trabalho para fortalecer nosso nome lá fora, em especial na Europa. Já fizemos duas tours européias, temos álbuns lançados por lá e em parceria com selos locais e agora é hora de voltar.
- Outro ponto importante é que vocês optaram pelo português, para inserir as letras nas composições. Fugiram do inglês? Podem nos explica isso?
Manu Joker: Nessa banda sempre foi assim, desde 1993 a proposta é, salvo raras exceções, cantar na nossa língua. Somos uma banda que usa o dialeto das ruas, nossas letras são sobre coisas que vivemos, experimentamos, pelos “mundos” à nossa volta… Cantar em português deixa tudo mais verdadeiro ao meu ver, acho que fica mais clara a ideia. Como disse, já fizemos coisas pontuais em inglês e espanhol mas a grande maioria das nossas músicas é assim, tipo conversa de esquina. (Risos). Gosto de inúmeras bandas que cantam em inglês, tá tudo certo quanto a isso, só me cansa um pouco essa “obrigatoriedade” de se cantar em inglês, esse fictício único caminho. Acho isso um conceito velho e que em alguns casos chega a ser constrangedor.
- Suponho que “Ganeshu” já esteja sendo promovido ao vivo, como tem sido os shows em suporte ao disco?
Manu Joker: Começamos a tour logo que o álbum saiu e até agora tem sido muito foda, as pessoas querem nos ver ao vivo e querem definitivamente ouvir o material novo. Somos uma banda do underground, artistas independentes que lutam a 3 décadas sem hypes comprados ou sem surfar tendências, então sabemos que nessas estradas tem vários buracos e obstáculos. Isso posto estamos felizes, empolgados e cheios de disposição pro que vem pela frente.
- Quais os planos futuros da UGANGA? Suponho que agora que vocês contam com uma grande gravadora por aqui, um novo álbum esteja nos planos, confere?
Manu Joker: A parceria com a MS está no início mas estamos muito otimistas com os resultados que alcançaremos juntos. Definitivamente um novo álbum está nos planos e pra falar a verdade já começamos a compor. 2026 chegou trazendo conquistas interessantes.
- Manu, mais uma vez, muito obrigado por todos os esclarecimentos. Se algo ficou pendente, por favor…
Manu Joker: Novamente agradeço ao interesse pelo nosso trabalho e espero vê-los na estrada, um salve de MG pra geral.